terça-feira, 15 de maio de 2012
"Merkhollande"
Vai-se ficando a saber quem são os protogonistas desse novo país das maravilhas chamado "merkhollande". Hoje será institucionalizado. Une quase todos os germânicos. Os mais romanizados a ocidente e os outros. Os alemães iluminados pela luz civilizacional mediterrânica mais tarde, mostraram-se, contudo, seus zelosos seguidores. Dividiram o mundo cristão ocidental, criando o protestantismo (inspirado em interpretações de obras do Bispo de Hipona, antiga localidade romana situada na presente Argélia). Os srs Hollande e Ayrault não têm experiência governativa. Não constitui problema. O segundo sabe alemão. Governará à alemã, controlando a despesa pública.?! Indícios da sua administração em Nantes parecem-no desmentir. Se o sr. Hollande não conseguir fazer compreender à Sra. Merkel os seus projectos de crescimento e emprego, o sr. Ayrault traduz para alemão os pensamentos do seu presidente, não é verdade?...Tarefa ciclópica e complexa. Controlar o orçamento francês, não diminuir impostos para pagar o serviço da dívida e, ao mesmo tempo, impulsionar a economia à custa do estado não será fácil explanar a alguém como a chanceler alemã formada em física-química, ciências onde os números contam muito e a retórica nada. Dificilmente o "esprit français" ajudará: a sra. Merkel não frequentou as mesmas escolas superiores elitistas do sr. Hollande. Mais, consequência da herança protestante paterna, a sra. Merkel pensará como Max Weber na "ética protestante"...os seus interlocutores franceses têm princípios éticos católicos...pois é ...está-se, portanto, perante uma "merkollande" inequivocamente ecuménica, mas não existe João XXIII... Sua Santidade Bento XVI é alemão...Não há nada a favor de Paris?!...Oh la la...il ya toujours les fromages brie et camembert, n'est ce pas?
terça-feira, 8 de maio de 2012
As eleições francesas III
Como estão amigos, os srs. Sarkosy e Hollande. Bonito, sim senhor. Fica bem. Só não se viram os dois a oscular-se, hábito tão francófono. Todavia, não há razões para franceses e restantes europeus descansarem perante o sinal apaziguador. Se a promessa de renegociação do chamado "acordo orçamental" europeu do presidente-eleito, durante a campanha eleitoral, visaria projectar a imagem de uma França afirmativa e mais influente na cena internacional, a sua anunciada ida à Alemanha, ao que se diz, no dia imediato à sua tomada de posse como chefe-de-estado, desmente, na prática, esse objectivo. Visita, além de prematura, consolida a imagem de superioridade da sra. Merkel e do seu país face aos seus primos francos. Quando o presidente francês corre para o colo alemão, parecendo pedir benção e conforto... ou será já um acto de contrição em relação a algumas afirmações "plus méchants" da campanha eleitoral? Compreensível, contudo não se reconhem à bonacheirona chanceler alemã sentimentos maternais. A monarquia francesa sempre lutou contra a supremacia do Sacro-Império Romano-Germânico...portanto, Richelieu, o primeiro artífice do moderno estado francês, assim como sucessores seus devem estar a revolver-se nas tumbas perante a precipitação do sr. Hollande em cair no regaço (reconfortante?) da aparentemente sempre disponível chefe de governo alemã. Institucionalizar-se-á a sociedade "merkhollande" com sede em Berlim, como acontecia com a sua predecessora "merkosy".
domingo, 6 de maio de 2012
As eleições francesas II
A vitória do sr. Hollande não é um bom presságio para os franceses. Cria ilusões. Não desapareceram as dívidas da França com a vitória socialista. Pensaram os franceses que seria preciso mudar de Presidente para que tudo continuasse na mesma? A "esquerda" será obrigada a tomar as medidas mais austeras. Sem desculpas. E a França não difere de outros países. De facto, a tão falada e odiada (com toda a razão)austeridade não é fatalidade, antes necessidade. O recém-eleito presidente francês talvez acredite que pode encontrar dinheiro para pôr em prática "políticas económicas de crescimento", seja lá o que isso fôr, no início na segunda década do século XXI. Porém, encontrar quantias para investir e continuar a pagar as dívidas, preservando, ao mesmo tempo, o muito desgastado "modelo social europeu" (leia-se estado previdência) seria proeza assinalável. O dinheiro para investimento estatal terá que ser pedido emprestado e para pagar os défices, reformados e serviços sociais não se poderão baixar impostos. São estes últimos e a sua respectiva administração o cerne da questão em Portugal, França e por toda a restante UE. Para a economia crescer de maneira sustentada tornam-se necessários recursos financeiros...pois é, mas as pessoas e empresas asfixiam em impostos e taxas para sustentar burocracias pesadas e redudantes de serviços e cargos.Na actualidade sobra quase nada para obras públicas,bolsas de formação,manutenção de serviços de saúde e de educação...Croissance?! Comment?
sexta-feira, 4 de maio de 2012
As eleições francesas.
As próximas eleições francesas são importantes: as presidenciais, neste Domingo e as legislativas,em Junho próximo. Complementam-se. Em ambas as sondagens dão vantagem aos socialistas. O discurso do sr. Hollande não augura nada de bom, nomeadamente a ideia da renegociação do "acordo orçamental europeu" (mais uma redudância bruxelense). Se cada novo governo europeu decidir renegociar, sem consenso dos parceiros, o que os seus antecessores concordaram meses antes, a confusão na UE aumenta. E coitadinhos dos "mercados", não há psiquiatra que os acuda com tantos nervos...Porém, alvez o que os franceses mais gostam acerca daquele objectivo balofo do candidato socialista é o facto de assumir a oposição à supremacia alemã. De facto, se o Monsieur Sarkosy perder (derrota longe de certa) será, sobretudo, por causa da sua intimidade política com a sra. Merkel, perante a qual a França se sente subalternizada. Com"Merkosy" ou "markollande", a Alemanha será sempre incontornável. Francos e todos os povos germânicos são produtos das terras frias e sombrias dos "nibelungos"... O sr. Bayrou é um sobrevivente e segue as projecções a pensar no repasto, após as legislativas. Deveria reler o seu "Henry IV". Este rei foi ousado, pois concluiu, sem rebuço, que Paris valia uma Missa. Todavia, nem o primeiro monarca bourbon conseguiu unir os seus súbditos católicos e protestantes, nem o anúncio da intenção de voto do ex-cadidato centrista contribuirá para uma maior unidade francesa...
terça-feira, 17 de abril de 2012
O dr. Basílio Horta evoluiu...( a propósito de críticas deste deputado do PS contra o MNE Portas).
O dr. Basílio Horta evoluiu...mal. Como o prof. Freitas do Amaral. Abandonaram a direita em momentos desajustados. Constate-se, porém, os seus espíritos caritativos. Os dois ex-dirigentes centristas apoiam algo a desmoronar-se. A "esquerda democrática" portuguesa (PS) está esgotada. Não tem projectos. O ideário e o discurso são bolorentos. Se houver alguma dúvida epistemológica sobre o desajustamento socialista face à realidade do País, oiça-se (se houver paciência) o dr. Seguro. Quanto à finérrima expressão "épater les bourgeois" sobre a acção do actual MNE, aplicava-se também às conversas balofas de anteriores governos acerca do mesmo assunto. O Estado tem política externa e a diplomacia assume o papel principal na respectiva executação. Evidente, o aumento das trocas comerciais, a captação de investimento estrangeiro, o apoio à internacionalização das empresas portuguesas, etc constituem, naturalmente, objectivos primordiais de qualquer actividade diplomática séria e dignificante para qualquer gente dipomático. Já os nossos monarcas medievais o sabiam e praticavam...Depois, o exercício diplomático ponderado e sério não convive bem com falsos frenesins de noticiários televisivos. Como acontece, habitualmente, na educação, só bastante mais tarde se saberá se um determinado esforço foi coroado de êxito. Diplomacia e economia casaram-se, há muito, com comunhão de adquiridos. Baixar impostos, reduzir burocracias e consistência na imagem e na acção externas são alguns exemplos de medidas, que podem tonificar aquele "casamento", sem balbúrdia ou confusão de conceitos.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Francamente, a solução....( a propósito de notícias acerca da greve de trabalhadores dos consulados portugueses na Suiça reinvindicando aumentos salariais em consequência da desvalorização do EURO face ao franco suiço).
Francamente, a solução parece evidente. Fecham-se os consulados na Suiça, deixando lá apenas a Embaixada. Os cidadãos portugueses poderiam ir aos países limítrofes: França, Itália, Alemanha e Austria tratar dos seus documentos. Em todos esses vizinhos dos suiços funciona o EURO, depois os acessos por estrada ou caminhos de ferro são excelentes. Mais, todos aqueles países têm redes electrónicas de grande qualidade, pelo que dúvidas e marcações para a emissão de documentação poderiam ser esclarecidas calmamente ou marcadas com antecedência via "internet". Se a memória não falha, atendendo aos acordos daquele país com a UE, desde que legalizados o regresso dos portugueses a território suiço estaria sempre assegurado. Poupava-se. Os trabalhadores não sofreriam o nível de depreciação salarial devido ao custo de vida e da desvalorização do EURO e os emigrantes continuariam a ser servidos...porém, será que quereriam, ambos (funcionários e a emigração), esta resolução barata e prática? Bem, talvez o actual MNE pense no assunto...
domingo, 8 de abril de 2012
O PM Passos Coelho...(no seguimento de notícias sobre reacções a mais algumas afirmações do PM português a um jornal estrangeiro).
O PM, mais uma vez, repetiu o que tem "cantado" em outras ocasiões. Tenta seguir a mesma chave do regresso aos mercados em 2013, em "lá bemol". Reconheça-se, neste muito discreto, nada estridente, "aleluia" pascal, o dr. Passos Coelho, internamente varia, com frequência, para um "dó baixo", em prudente ressonância. Contudo, em declarações no estrangeiro ou ainda em entrevistas para ouvidos e olhos externos, esse tom afirmativo perde a "chave", enredadado em "bemoles". Assim, em vez de variações à "fuga" cristalina do discurso interno, apresenta uma "atonalidade" destinada aos duros ouvidos germânicos. Provoca confusão essa sua diferença de registos. Todavia, em quaisquer dos palcos prefere nunca assumir o papel de "solista" ou carregar em "sustenidos". Refugia-se antes no coro das vozes europeias. A última entrevista ao tal jornal alemão não passa de uma variação na tentiva vã de harmonia em muita surdina, não vão os "tímpanos" soar demasiado agudos e contradizer ou assustar os sempre neuróticos mercados. Entretanto, o "wagneriano" Louçã excita-se, o PS em tom barroco chama atenção para as aparentes contradições musicais do governo e o PCP puxa das fanhosas trombetas, há muito entupidas, da desgraça desta contínua e cinzenta quaresma portuguesa, a qual está longe de acabar em consequência dos ininterruptos carnavais socialistas de anos passados recentes. Enfim, não será nesta ou na póxima Páscoa, que se ouvirão, por exemplo, o exultante "Aleluia" de Handel ou o afirmativo "Gloria" de Vivaldi, a propósito do ressurgimento da economia portuguesa.
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